quarta-feira, dezembro 15, 2010

Eduardo..

Enfim invadiu-me o arfar inconveniente
da asma doce que eu herdara de meus ossos

Era então a hora de meu sonhos se esvairem e eu deixar-me descansar entre tantas lembranças pisadas pelo tempo...

***

- Ayla?! Você está bem meu amor???- A voz de Eduardo surgia baixa de algum lugar distante - Ayla?!! Me responde... Se vc não responder eu vou entrar aí.
Era difícil responder, não sIu exatemente o que havia acontecido... De olhos abertos eu me via caida sobre os tapetes listrados do banheiro - mais um desmaio- eu pensei. Não podia dizer a Eduardo o que havia acontecido, "Eu devo ter dormido", é deve mesmo ter sido isso, mas...
- Ayla?!
- Sim...- Minha voz saiu mais rouca do que eu imaginara, e eu abri com alguma dificuldade a porta.
- O QUE ACONTECEU?
-Nada...
- Você ficou mais de 1h aí dentro, eu pensei que...
- Não, não foi nada disso - Eu tentei sorrir e reergui minha toalha.
- É melhor vc nem ir ao treino hoje...
- Claro que eu vou, já disse que estou bem.
- Mas.., você não pode se esforçar muito estando assim...
- Du, por favor, deixa eu ir tá?
- Tá, mas só se vc deixar eu te alongar...
- Hoje não.

- Ay.. Eu sei que vc não tá bem. Não sou como ele, pode dizer pra - Eu pus os dedos sobre os lábios dele e o interrompi, abraçando-me ao seu corpo.
Ele me envolveu de leve, senti a toalha cair, mas não me importei, ele entendia meus olhos, e não ia insistir. Era isso que eu mais amava nele... Eduardo.
Fora também com um abraço que eu me apaixonara por ele.. Por aquele abraço quente e pelos seus olhos que sabiam compreender os meus como nínguem nunca soube.

Lembranças pisadas

  ***
Ele parecia sorrir - eu pensei,- enquanto debruçava-me sobre os lençois e escondia meu rosto para que ele não visse minha face. Ele deslizou os dedos pelas minhas costas, deixou sua boca pairar por alguns segundos em meu pescoço; foi estranho sentir a delicadeza tão rara de seus lábios.
Um abraço, quente e suado envolveu-me entre braços tão fortes, e por um instante eu pude sorrir depois de tanto tempo escondendo meus medos.Eu olhei seus olhos, e deslizei minhas mãos pelas suas costas, sentir sua pele macia e ardente deixava-me tão quente quanto um sol de pico.
Ele cheirou-me a nuca, e como nunca antes me tomou em goles num beijo profundo, eu finquei levemente minhas unhas em suas costas, trazendo sua ensencia pra junto de mim.
Mas uma vez eu sorri,  embebida entre tantos carinhos e toques, antes tão indiferentes a minha alma, mas que agora me devoravam como se a cada beijo ele jurasse sempre me amar daquela forma.
Senti, como se enfim eu pudesse ser amada e dei um breve gemido abafado, molhei meus lábios e dançei com eles por entre as breves linhas do pescoço dele, mordisquei sua orelha de leve e com os dedos entre os cabelos dele sussurrei:
- Te amo Eduardo... !

Então - como em filmes antigos- parou-se o tempo, como se uma fita antiquada agarrasse no leitor de VHS... Eu dei um último suspiro, ainda me sentindo feliz, sem perceber meu erro, minha eterna gafe.
André apertou meu corpo contra a cama com a força de um dragão negro, seus dedos apertavam meus braços como duras garras, e seus olhos eram martelos prestes a me julgar...
E ainda sim, eu parecia sorrir - tola sensação essas que sentimos em meio a loucos prazeres e malditos erros.
Pude então perceber, uma gota de ódio se espalhando como veneno nos olhos dele, e seus lábios crispando-se como se quissessem deixar de ser belos, ele não dizia nada... As mãos me machucavam os punhos, e uma breve lágrima de dor desceu pelos meus olhos...
Ele sorriu. Me puxou pelos cabelos, e deu-me um tapa na face direita - a dor fez meus olhos encherem ainda mais-, o ardor inicialmente suave esquentou e tranformou-se em um latejar insistente e doloroso.
Mas minha alma não reclamava por isso, meu olhos não jorravam por isso... Era o sorriso dele que me estapeava a alma, como se ele gostasse de me me ver sofrer.
Ainda com mes cabelos em suas mãos, puxando-me pra perto com força; ele lambeu meu pescoço e falou em meu ouvido, em sua voz pude entender o erro que eu havia cometido, e o quanto eu pagaria por aquilo.
- Então é assim que vc gosta né? Que peninha... O Eduardo não tá aqui pra te comer...- Ele deu um longo riso sarcástico- E é bom você lembrar bem de como eu gosto..- Disse apertando seu corpo contra o meu com mais força, fazendo mais uma lágrima rolar de meus olhos- E vê se aprende que eu não te amo.

Pensamentos

Respirei fundo,
abrir os olhos era como pedir ajuda
em meio a tantas gotas frias que deslizavam em meu corpo

o som de passos se abafava entre meus pensamentos altos e vagantes
sim, eu podia encontrar entre tantas sinapses,
aquela lembrança que insistia em dilacerar-me um terço da alma
e dois terços do coração.

respirei fundo mais uma vez,
homologias tomavam-me os sentidos,
enquanto eu ouvia a voz de Eduardo resoando em canto a alguns metros além

quem sabe agora com os neurônios resfriados e o corpo em calafrios,
eu poderia acordar daquele sonho ruim

respirei mais uma vez,
me faltava o ar como em anos antes,
naquela noite em que os nomes me fugiram dos lábios
e o coração pregou-me uma peça tristonha,
um drama que não devia ter sido atuado.

era um outubro desses alaranjados,
e ele à minhas costas insistia em sorrir...

Mais um passo

Diminuir o tamanho da fonte Diminuir o tamanho da fonte

Respirei fundo, profundo...
e deixei meu corpo deslizar pela parede,
sentindo os gelados azulejos encontrarem a minha pele

Abafado,
surgiu o som desrítmico de uma canção
e eu pude ouvir os passos dele dançarem no assoalho antigo

tentei sorrir,
e joguei-me entre as gotas geladas de meu chuveiro antiquado

fechei os olhos por um instante qualquer,
a água descendo entre meus cabelos e deslizando entre meus lábios
misturava-se agora a pequenas lágrimas.

senti-me tola ante àquilo,
e respirei em um breve arfar.

o seco bater surgiu de surpresa,
uma voz que suplicava pra entrar..

deixei-me guiar entre passos mal dados,
e que ele deslizasse em mim os seu lábios.

estava eu de olhos fechados,
sentindo um quente encontrar-me desnuda

enquanto dedos diziam a minha boca quer um silêncio.
e a minha alma querer-me inteira.

as gostas tornaram-se quentes,
eram mais lágrimas entre meus seios...
descndo como cascatas tolas de olhos tão feios

acordei respirando como se afogasse-me entre sussurros.
gritei calada, e engoli meus beijos
"pare de sonhar"

sábado, julho 03, 2010

O começo...

Manhã de abril e ele alí,
olhos castanho-fosco brilhando em algum lugar ao sul,
com seus sorrisos brancos estalando simples
 num contraste doce com a pele morena.

Eu parecia sorrir,
um sorriso turvo de lágrimas que havia chorado,
pra nós dois será sempre assim.

Suas botas sujas de lama roçavam o asfalto,
como um homem perdido numa selva sem sonhos.

Meus lábios formigavam e eu ainda soluçava,
era bom o afago do peito macio,
mas eu não podia suportar.

Um basta veio em grito seco rasgando a garganta,
ele me viu sufocando no susto que seu coração acelerava.

Seus dedos me jogaram pra longe
como uma estranha mulçumana,
e eu ainda de lábios semi-abertos repeti,
o gosto do sangue lambia minha lingua,
e ele procurava em seu peito um choro qualquer,

era verão de folhas secas e perfumes azedos,
e foi assim que tudo começou.

Acordei febril,
ninguém ao me lado pra me ressuscitar a alma,
haviam se passado mil noites desde ali.

Respirei um fundo e profundo aspiro,
com uma vontade suspensa de fechar os olhos.

Era uma manhã branca,
dessas que só bons amigos colorem,
e eu estava sozinha,
entre os lençóis já cinzentos do meu quarto.

O telefone tocou,
um bom dia suspirou entre o apertar cego das teclas:
era ele.

Imaginei seus olhos como se nunca tissem partido,
seus lábios como se estivessem nos meus,
seu cheiro como se estivesse á porta.

Cospi umas palavras em dificuldade,
ele riu e debouchou da preguiça que consumia meu corpo...

Eu não tinha forças para rir,
mas a manhã tinha deixado de ser tão branca agora,
e me senti um tanto tola em meio aos pequenos tons de rosa
que despontaram em minha janela.

Ele pigarreou e riu mais uma vez,
como se adivinhasse meus pensamentos
e meu incômodo confuso,
eu não respondi.

O perfume de folhas místicas invadiu meu nariz,
o cheiro dele me era tão presente naquela manhã...

Ele riu mais uma vez,
e por sobre a cama de olhos semi serrados eu o pude ver:
deslizou-me uma carta borrada,
garranchada e provavelmente confusa por debaixo da porta,
e eu não quis levantar.

Desliguei o telefone e voltei a dormir,
"o que será que ele quer desta vez?"
era um pensamento estranho que me martelava nos ouvidos
como um sussurro fantasma.

A porta bateu,
e bateu-se na porta,
até que minhas pernas se fissesem obedecer.

Abri de olhos ainda fechados
como uma míope sem óculos,
e pude ver a blusa marinho desbotada,
a calça um tanto larga,
o sorriso estampado...

Limpei os olhos com as pontas dos dedos,
tateei as lentes sobre a mesa,
mais uma vez aquilo acontecera:
eu o ignorara-o pensando em meu passado.

Ri confusa e fazendo charme,
ele jamais me vira em estado tão triste:
sorriso de sono,
cara desbotada,
lábios inchados num vinho sangue,
blusão amarelo rasgado,
meia num pé,
cabelos desgrenhados
e por baixo,
-nada-.

Tentei me recompor enquanto ele me observava,
sorri sem graça em dentes amarelos,
ele riu um sorriso gostoso,
jogou-se sobre a cama e me chamou baixinho,
eu disse não e entrei banheiro a dentro...

Como da última vez estava tudo errado,
pensei calada:
Não posso voltar atrás.